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terça-feira, 15 de setembro de 2020

sufocada

em algum momento esta noite meus hormônios decidiram não atuar como deveriam.
os receptores neurais não os aceitaram
e meu cérebro se tornou um caos.

me despertei sem ar, com o peito doendo e quase não saí da cama. 

é desesperador quando se dá conta de que a única companhia no momento é a depressão
e escrevo para tira-la de mim
escrevo para me livrar de sua fumaça envolvente que confunde meus sentidos 
escrevo para me sentir livre 
e noto que se não for por ela, estou só 
então a abraço 
me envolvo em seus braços e a aceito um dia mais. 

queria escrever sobre coisas bonitas;
queria sentir coisas bonitas.
mas novamente, me perdi de mim mesma. 

e talvez, só talvez, eu perceba que já não me encaixo nesta encarnação. 
noto que perdi o jogo a anos mas sigo porque no fundo ainda tenho a esperança de estar bem. 
de viver bem.

a verdade é que isso não passa de uma fé cega sobre o futuro,
de sonhos platônicos sobre amores e cotidianos. 

talvez nem todos mereçam o amor e a felicidade. 
talvez essa busca seja insignificante 
talvez devêssemos apenas desistir.