em algum momento esta noite meus hormônios decidiram não atuar como deveriam.
os receptores neurais não os aceitaram
e meu cérebro se tornou um caos.
me despertei sem ar, com o peito doendo e quase não saí da cama.
é desesperador quando se dá conta de que a única companhia no momento é a depressão
e escrevo para tira-la de mim
escrevo para me livrar de sua fumaça envolvente que confunde meus sentidos
escrevo para me sentir livre
e noto que se não for por ela, estou só
então a abraço
me envolvo em seus braços e a aceito um dia mais.
queria escrever sobre coisas bonitas;
queria sentir coisas bonitas.
mas novamente, me perdi de mim mesma.
e talvez, só talvez, eu perceba que já não me encaixo nesta encarnação.
noto que perdi o jogo a anos mas sigo porque no fundo ainda tenho a esperança de estar bem.
de viver bem.
a verdade é que isso não passa de uma fé cega sobre o futuro,
de sonhos platônicos sobre amores e cotidianos.
talvez nem todos mereçam o amor e a felicidade.
talvez essa busca seja insignificante
talvez devêssemos apenas desistir.