02/12/2016

"nunca sabe de nada", "não vê nada", "nem sei pra que ainda te pergunto"

- vá a merda. me deixem em paz. saiam daqui e fechem bem a porta. já vou lá para trancar.
droga, não devia ter jogado os cigarros fora naquele dia em que jurei parar, quando disse que tudo ficaria bem (e ficou, por duas semanas).
a dor está voltando, consumindo todo meu corpo lentamente. começou pelas pernas, agora já sinto uma cólica. o enjoo é permanente. omeprazol.
o telefone toca. respiro profundamente. não quero atender. deixo tocando, quem sabe a pessoa desista.

eu não quero morrer, não quero morrer, não quero. morrer.

sorrio, retoco o batom, ajeito o cabelo. e espero que ninguém perceba minha dor.
penso em minha futura casa. um apê bem pequeno, com uma varanda cheia de flores. não quero muitos móveis, apenas o essencial.
queria filhos, um casamento apaixonado, um trabalho menos entediante.
sou péssima atriz. todos notam meu vazio, minha angustia.
é como se meu peito pulsasse e todos vissem como dói.
todos olham mas ninguém vê

me apego a esses desejos para não dar fim a minha vida. me apego ao que quero ser, aonde quero chegar. me apego na esperança e quem sabe um dia, quem sabe talvez...
quem sabe?
não sei.

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