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quarta-feira, 2 de setembro de 2020

em alguns dias, o ar está mais pesado.

a coluna de ar sobre sua cabeça se torna mais densa e é difícil levantar, se torna impossível respirar, comer, mover.

noutros dias... o ar está rarefeito.
por mais que você tente, ele quase não chega ao seu pulmão e seu diafragma pouco se move.
os batimentos cardíacos se aceleram e é como se alguma mão gigante apertasse o seu coração.
por vezes sente um nó em sua garganta e seu estomago dói, mais do que o normal.

sua mente, ao tentar te sabotar questiona tudo que você fez, cada segundo do dia anterior, cada palavra dita e não dita. questiona você, suas habilidades, suas capacidades. ela diz que você não vale a pena e que não passa de uma pessoa medíocre.

mas dentro de ti existe outro alguém, que talvez seja compreensivo e entenda que você não precisa de grandes metas ou feitos homéricos. ele te diz que você pode sim, dormir, fazer uma caminhada no parque e respirar o ar puro perto de algumas árvores.
talvez ali o ar esteja mais tragável. e esses são dias bons.


sabe, esta semana o ar esteve um pouco mais denso ao meu redor. me senti novamente perdida, com raiva. sensível.
é que por vezes me perco em meio a pensamentos caóticos. quando olho para minha estrada e vejo que está tudo muito frio, nublado, não consigo enxergar o caminho adiante.
isso me apavora.
nesses momentos penso em nossos planos. bom, nos planos que eu fazia.
é tão estranha a sensação de vazio futuro (se assim posso dizer), de não ter o controle ou uma perspectiva futura.
isso me causa ansiedade extrema.
tento agarrar-me ao tempo atual e me perco em sua relatividade.
quero acreditar que darei certo na vida, que terei um futuro bom.
que terei um futuro.